terça-feira, 25 de agosto de 2015

A questão da unidade na esquerda

O tema da unidade entre as várias correntes politicas de esquerda, vem sendo tratado e debatido já há um longo período da nossa história, para termos uma ideia dessa questão, e como ela vem sendo tratada durante o passar dos tempos, venho dar minha pequena contribuição nessa trajetória, e como devemos tratar e pensar sobre essa questão. 

A esquerda em toda a sua história nunca formou uma unidade homogênea de pensamento, ou de atuação,  já na primeira internacional, as divergências politicas e suas respectivas teorias para a revolução seja ela burguesa, ou do proletariado, e o futuro ''sistema socialista'' ou mesmo em relação a democracia burguesa ,eram  claras como água, grandes embates marcaram aquele período, Engels e Bakunin é um caso clássico, que mostra como estava acontecendo o debate na época, questões de tática e estratégia, planos de transição, forças produtivas, meios de produção, comando ou destruição sumária do Estado(pós revolução), eram algumas das discussões desse momento.

Os debates entre as linhas politicas divergentes dentro da esquerda, sempre se deu de forma dura e por vezes violenta, isso ocorreu(e ainda ocorre), porque a politica é algo fundamental para os revolucionários, e para esquerda de modo geral, porém, dentro dessa perspectiva, há estratégias e táticas completamente diferentes em disputa. 

Para dar um exemplo mais simples, para os que acompanham a esquerda de fora, ou o máximo que ouvem falar a respeito da esquerda é o PT(utilizarei esse partido como exemplo, já que é o mais conhecido atualmente como partido de esquerda no Brasil, principalmente para os leigos), não tem a minima ideia das profundas e inegociáveis divergências que existem entre várias correntes de esquerda com esse partido, desde a oposição mais branda que deseja uma alteração na prática econômica desse partido, até os que desejam sua derrubada por uma revolução operária-popular.

Outro exemplo que podemos colocar para mostrar as disputas e divergências dentro da esquerda, pelos motivos já colocados acima, foi a criação da III internacional, e consequentemente o rompimento dos comunistas com a II internacional, isso foi uma exigência real diante das divergências irreconciliáveis entre a esquerda daquele momento, os social-democratas(representados por kautsky), e os comunistas( representados por Lênin), a social-democracia não apoiava e muito menos queria qualquer tipo de ditadura do proletariado, ou revolução socialista(por via insurrecional), naquele momento eles acreditavam que poderia se chegar no socialismo através da democracia burguesa, por meio das instituições, e que se utilizando delas e as modificando, ou seja, concedendo alguns direitos aos trabalhadores faria com que as relações de exploração do trabalho cessariam ao longo do tempo, diga-se de passagem ideia muito parecida com os eurocomunistas, que durante da década de 60 a 80, fizeram muito sucesso entre os revisionistas, reformistas e social-democratas brasileiros. Já os comunistas( com Lênin na linha de frente), defendiam que a única forma de acabar com a exploração do homem pelo homem, era a revolução socialista, e a tomada do poder pelos trabalhadores( a famosa, ditadura do proletariado).

O que podemos assinalar é que, a unidade da esquerda de forma homogênea sem qualquer objetivo pratico-concreto, não é possível e esta fadada ao fracasso, justamente por se basear geralmente em disputas eleitorais, a ânsia de conquistar cargos parlamentares, ou mesmo em disputas do executivo, foi sempre um calo dentro da esquerda, nesses casos me refiro a esquerda social-democrata, reformista,trabalhista e nacionalista, essas correntes em sua grande maioria sempre detiveram a sua disputa do âmbito constitucional, dentro dos parâmetros das eleições burguesas, e com isso limitando não só suas conquistas politicas, como em consequência dos trabalhadores também.


A base social dessa esquerda geralmente são os sindicatos e movimentos populares, porém por conta da característica de classe desses partidos, ou seja, pequena burguesia, geralmente os sindicatos de sua base limitam-se unicamente a greves, e manifestações de cunho economicista, os outros setores que servem de base social, de forma quase uniforme, são divididos para  militar por setores específicos, o que atualmente é feito pela maioria dos partidos de esquerda, o que acaba setorizando lutas, diminuindo a força das reivindicações, e não unindo o partido em prol de objetivos concretos da classe operária.

A unidade da esquerda é importante, mas ela só pode ser feita com base em objetivos concretos, que beneficiem a classe operária, e não apenas as direções partidárias e seus egos eleitorais de qualquer espécie, não se pode fazer acordos ou forçar uma unidade a qualquer custo, o debate interno sempre deve ser franco e claro, o proletariado tem o direito, e o dever, de participar ativamente na formulação das bases teóricas e praticas, em qualquer tipo de unidade, seja ela temporária ou de forma definitiva, como as fusões partidárias ou de movimentos sociais. Deixamos claro que buscamos a unidade, porém sem abrir mão do programa revolucionário, da emancipação dos trabalhadores e da ditadura do proletariado(governo operário), dentro dessas bases, os revolucionários comunistas travam de forma inconteste sua luta, e por ela venceremos.












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