sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Feminismo liberal: Um veneno burguês na luta das mulheres

Primeiramente deixo claro que, como comunistas, socialistas e revolucionários, devemos ter em mente que a mulher é fundamental na luta pelo socialismo. Sem a sua participação o movimento comunista, progressista de um modo geral, não tem a capacidade de luta, organização e mobilização necessárias para a revolução, e claro para alcançar o socialismo e durante todo seu período de transição.

Dito isso, a abordagem desse texto refere-se ao feminismo liberal, atualmente majoritário entre as mulheres, principalmente entre a classe média universitária, e a burguesia. O feminismo liberal é essencialmente burgues, porque não é uma teoria baseada no coletivo, ou seja, sua forma de ação e representatividade é individual, suas reivindicações, discursos e palavras de ordem são em prol do individuo e não de uma  classe social, ou seja, a operária.

Uma forma de esclarecer ainda melhor, é colocar seu significado literal, o ''Feminismo liberal é uma forma individualista da teoria feminista, que se concentra principalmente na capacidade das mulheres de mostrar e manter sua igualdade através de suas próprias ações e escolhas''. Isso mostra o tipo de teoria perniciosa que coloca-se atualmente entre as mulheres, que na suas justas e mais que necessárias reivindicações, se veem recrutadas pelo liberalismo, defendendo assim não pautas das mulheres da classe operária, e portanto classistas, e sim servindo ao capital,a burguesia e suas manipulações.

O feminismo liberal é uma arma do capital, criado pela burguesia, para distorcer e superficializar uma luta que é pela libertação da mulher, enquanto explorada não só pelo patriarcado, mas também pelo capitalismo. Fazendo isso, a burguesia consegue desviar o objetivo central da exploração econômica mantida pelo capital, para pautas individuais e de cunho pequeno burgues( como alteração de palavras, pelos ou não no corpo etc), que na prática não mudam em nada a realidade concreta a vida da mulher proletária, já que a exploração pelo capitalismo, a diferença salarial etc, não se alteram por essa via.

Essa parte da exploração, colocarei uma das feministas marxistas do século XX mais importante para detalhar sobre, Alexandra Kollontai diz ''A mulher, a mãe operária, sua sangue para cumprir três tarefas ao mesmo tempo: trabalhar durante oito horas num estabelecimento, o mesmo que seu marido; depois, ocupar-se da casa e, finalmente, tratar dos filhos. O capitalismo pôs nos ombros da mulher uma carga que a esmaga; fez dela uma assalariada, sem ter diminuído o seu trabalho de dona de casa e de mãe. Assim, a mulher dobra-se sob o triplo peso insuportável, que lhe arranca amiúde um grito de dor e que, às vezes, também lhe faz verter lágrimas. O afã foi sempre a sorte da mulher, mas nunca houve sorte de mulher mais terrível e desesperada que a de milhões de operárias sob o julgo capitalista durante o florescimento da grande indústria''. Ou seja, o feminismo liberal em nada liberta a mulher do julgo capitalista, e muito menos pode proporciona-la meios(de forma coletiva) de livrar-se do trabalho domestico.

Em outro texto, Alexandra Kollontai demonstra avanços importantes que foram conquistados após a revolução socialista na Russia, e aponta que só a luta coletiva, classista, revolucionária pode caminhar de forma ainda mais rápida e melhor no objetivo de emancipação da mulher, ela diz ''A Revolução de Outubro emancipou a mulher: hoje as camponesas têm os mesmos direitos que os camponeses, e as operárias, os mesmos que os operários. Em todo lugar a mulher pode votar, ser membro dos sovietes ou comissária, e até comissária do povo''. Conquistas que nos países capitalistas ainda demoraram muito tempo para acontecer, isso nesse caso, sem citar o aborto, que foi prontamente aprovado pós revolução.

Num outro trecho é apontado que ''A classe operária também está interessada em liberar a mulher nessas esferas. Os operários devem entender que a mulher é tão integrada à família do proletariado quanto eles próprios, pois ela trabalha sob as mesmas condições que o homem. Um terço de todas as riquezas da Terra surge das mãos das mulheres; a Europa e a América contam 70 milhões de operárias. Numa sociedade comunista mulher e homem devem ter direitos iguais! Sem essa igualdade, não há comunismo''. Atualmente a mulher esta muito mais integrada ao mundo trabalho do que anteriormente, porém no capitalismo as diferenças salariais para a mesma função se mantém, o interesse da burguesia, e óbvio do feminismo liberal, é que tal situação não seja lembrada, justamente para não despertar a luta de classe.

Não é por coincidência que ultimamente a pauta sobre o feminismo vem ganhando manchetes, e inclusive publicidade por parte das empresas.O interesse não é a emancipação da mulher, e muito menos proporcionar um entendimento revolucionário sobre o tema da exploração, a única coisa que os capitalistas desejam é a manipulação, a superficialidade e a subjetificação dos temas fundamentais da luta feminista, que é essencialmente socialista, pois só no socialismo conquistará sua libertação de forma plena e concreta.

Então qual deve ser o posicionamento duma mulher feminista, revolucionária e marxista?Logicamente a Alexandra Kollontai deixa explicito quando faz um chamado as mulheres soviéticas da época.''Então, mãos à obra, camaradas trabalhadoras! Iniciem sua emancipação! Construam creches e maternidades, ajudem os sovietes a organizar refeitórios públicos, ajudem o Partido Comunista a edificar uma nova e radiosa realidade. Tomem lugar nas fileiras de todos os que lutam pela libertação dos trabalhadores, pela igualdade, pela liberdade e pela felicidade dos filhos de vocês. Tomem lugar, operárias e camponesas, sob a bandeira vermelha revolucionária do vitorioso comunismo mundial!

Links dos textos que tirei sobre a Alexandra Kollontai


















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